27 de junho de 2007

Lixo


Pacheco Pereira, no seu blogue, o Abrupto, a propósito da queixa-crime que José Sócrates apresentou contra o autor do blogue Do Portugal Profundo, António Balbino Caldeira, que curiosamente, ou não, nunca menciona no seu escrito, faz uma série de considerações acerca da responsabilidade civil e criminal a que os autores dos blogues devem estar submetidos. Pacheco Pereira prefere referir-se a: "agora que os blogues começam a sentar-se no banco dos réus", mas como não os identifica, ficamos com a impressão que são vários. Será que o Abrupto já foi processado e Pacheco Pereira nada disse? Afinal já leva anos a exercer o direito de crítica no seu blogue sobre as mais variadas pessoas e situações e, nós sabemos que isto de se considerar difamado e insultado vai muito da formação de cada um. Logo, até seria natural Pacheco Pereira ser processado. Mas não creio, e já veremos porquê.


Mas, o que verdadeiramente tira Pacheco Pereira do sério é essa coisa da caixa de comentários que existe nos blogues, mas que existe na medida em que os seus autores consentem, que não é o caso dele, para que se saiba. Subentende-se que ele até tem alguma comiseração pelo que o autor de um blogue escreve, mesmo sendo lixo, agora acrescentar lixo ao lixo, que é o que as caixas de comentário abertas e sem qualquer controlo pelo autor, estava tentado a dizer "director", desse blogue produzem, isso é ultrapassar o admíssivel. Na visão dele nessas caixas só existem calúnias e insultos gratuitos e se o autor do blogue os permite, logo é ele que deve ser responsabilizado, e por conseguinte "sentar-se no banco dos réus".


Sempre me pareceu, talvez esteja errado, que, Pacheco Pereira sempre desejou que os blogues se transformassem em jornais, de versão electrónica, e que as regras que ditam a conduta da imprensa se aplicasse também aos blogues. A sua escola tem seguidores. Fora e dentro da blogosfera.


Que os blogues, e os seus autores, estejam submetidos ao Direito é elementar. Nada nem ninguém deve estar acima da Lei. Agora querer responsabilizar os autores que permitem caixas de comentário abertas, e que não fazem triagem, parece-me absurdo, no mínimo.


Se alguém se sente difamado e insultado pelos comentários produzidos nas caixas dos blogues, deve processar quem os fez, e não quem utilizou uma ferramenta que a empresa proprietária dos blogues pôs à disposição do "fazedor" do mesmo. É que um blogue por mais voltas que se dê não é um jornal.


Mas esta prosa de Pacheco Pereira reside é no lixo "bloguista". Se não houvesse lixo, o ambiente era puro e não haveria banco dos réus para ninguém. Subentende-se que ele considera que não produz lixo. A prosa, a poesia, as fotos, os vídeos, que pelo seu blogue campeiam, estão lá para glória e educação do "povo". O tal a quem não deve ser permitido destilar o fel nas caixas de comentários abertas e sem controlo.


Como Pacheco Pereira há muitos "fazedores" de blogues que não permitem diálogos e troca de impressões com os leitores dos mesmos. Quando muito, permitem que lhes escrevam uns e-mails que eles se encarregarão de filtrar e, se acharem que não é lixo, lá permitirão que, um ou outro, ilustre a obra de arte que é o "seu" blogue.


Pacheco Pereira ainda vai resistindo, honra lhe seja feita, a ter um blogue que alimenta diariamente. Não sabemos até quando. Muitos como ele, ou seja, que acham que têm como missão "educar o povo", ou melhor dito o "poviléu", porque agora já começa a ser chique considerar que também os "separadores de lixo" são povo, ou desistiram, ou nem sequer se atreveram a "meter os pés" em tamanha lixeira. É que, na visão desses, quem meter a mão no lixo uma vez, fica-se sujo toda a vida.


Há muito pedantismo e arrogância dentro da blogosfera, como aliás fora dela. As pessoas transportam para aqui as intrigas, as invejas, as traições, as guerras pessoais e tudo o mais que se possa imaginar, e que fazem parte do seu dia-a-dia nas redacções dos jornais, na televisão, no ensino, na cultura, etc., etc.


Isto da democracia ser para todos é uma chatice.


2 comentários:

God's Man disse...

Sobre Pacheco Pereira haveria muito que dizer. É pessoa pouco de fiar, sem qualquer espécie de lealdade ou coerência. Em gíria diz-se "um rolha" ou "vira casacas". Esta foi uma espécie relativamente abundante em determinado momento neste país, mas, como é patente, não vingou (parecem estar mesmo em extinção). Restam alguns exemplares , mais ou menos silenciosos (ou silenciados). Talvez tenham pouca capacidade para se reproduzir... (:)vá lá saber-se porque?!
E viva o poviléu, que aprende devagar, mas lá que aprende ... aprende.

Zé Tomes disse...

Bom dia

Resolvi criar uma petição que insurge contra a abusiva e anti-constitucional postura do nosso órgão soberano 1º Ministro José Sócrates, sobre António Balbino Caldeira quando lhe move um processo por difamação.

Ao estar a processar por difamação um cidadão, o órgão soberano está a infringir o artigo 3º dos direitos constitucionais, em que o Estado está subordinado a estruturar-se pelos artigos da Constituição da República Portuguesa.

Mover-se um processo que riposta a uma difamação, antes, dever-se-ia tê-la fundamentado como difamação - ou seja, não verdadeira perante um facto polémico.Portanto, mover-se um processo apregoado difamatória certa expressão, já de si é um abuso de poder porque em si o que é liberdade de expreesão nem sequer foi provado como difamação (ainda que a própria difamação seja já em si uma forma de expressão, o caso difere de órgão soberano para cidadão)

Mesmo sendo verdadeira, pelo 37º artigo da Constituição, a Liberdade de expressão e informação é um direito que não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura. Portanto se cabe ao Estado (estruturação do Governo) subordinar-se às directivas da Constituição, um órgão soberano não pode mover um processo judicial sobre o direito do cidadão de se expressar ainda que esteja a ser polémico. Fazê-lo é não estar em consonância com a estrutura da nossa Constituição da República.


Deixo-lhe o endereço caso queira divulgá-la

http://www.petitiononline.com/tasfasta/petition.html

abraço

--
José Pedro Gomes