14 de junho de 2007

Cócegas


Entrevista da directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, hoje, ao Diário de Notícias:
  • "Nós [DREN] temos tudo o que tem saído na comunicação social, nos blogues, ofícios, em tomadas de posição, em artigos de opinião."

A senhora directora, tem tudo isto para quê? Para levantar mais uns processos? Por isso, não fez menção ao debate político que as suas acções provocaram. É que os deputados têm imunidade parlamentar, logo não vale a pena processar. Mas lá vêm os blogues, que ela sabe que são aqueles que provocam mais "mossa".

  • "Foi por SMS [que tive conhecimento do "insulto do professor Charrua a José Sócrates], davam-me conta de que estaria a acontecer uma coisa grave, 48 horas antes de abrir o inquérito."

Oh, Santo Deus, por SMS? Queixinhas por SMS? Ao que isto chegou. A senhora acha normal este procedimento delatório e pelos vistos o jornalista, Francisco Mangas, também. O problema deve ser meu: quem manda a mim ser antiquado e não me actualizar "tecnologicamente". A delação tecnológica é que está a dar.

  • "Não gosto de me vitimizar como mulher, mas nos últimos dias, volta e meia, naquilo que eu tenho lido, vejo claramente uma forma de me atacar que não aconteceria se eu fosse um homem."

O argumento feminista mais machista deste milénio, em Portugal.

  • "Muitas vezes, também me parece que a senhora ministra [da educação] não é poupada. São formas de ataques claramente machistas, no que há de pior."

Aos pares sempre é mais fácil. As muletas sempre deram um grande jeito.
  • "Defendo uma liderança forte, como muita gente por aí defende. Mas depois os comentários que se fazem são diferentes: sou uma mulher e educadora de infância..."

A auto-comiseração fica-vos tão bem.

  • "Sobre isso, está decidido. Vou a tribunal com o presidente da câmara [Municipal de Vieira do Minho, que a acusou de numa reunião ter dito que o seu lugar era na sacristia]."

Mais um processo. E vão quantos?

  • "Porque, se tiver que afastar alguém socialista, também o afasto sem hesitações. E o PS sabe isso."

Avisou o PS como? Por SMS?

A senhora directora pode ser uma óptima profissional, enquanto promotora da política de educação do governo, no entanto quanto ao resto, esta entrevista diz tudo.

13 de junho de 2007

O rosto que convém

Trichet, Presidente do BCE


Jean-Claude Trichet, Presidente do Banco Central Europeu (BCE), é o rosto da constante subida das taxas de juro na zona euro. Faz o papel de mau da fita, o que para o goveno português é uma benção, pois desse modo sacode a água do capote. Mas isso não corresponde à verdade. Pese embora a decisão da subida das taxas de juro seja da competência do BCE, isso não invalida, pelo contrário, que o governo português não tomasse medidas que amortecessem o aumento constante dos encargos dos empréstimos, sobretudo os da habitação.
Gostaria de saber quantos portugueses já ficaram sem casa, desde que se inicou esta escalada da subida das taxas de juro? Os portugueses têm que culpar o governo por isso, este e os outros, foram eles que nos meteram nesta situação, ao fazer o país entrar na zona euro, criando a ilusão que iríamos aguentar o embate. Nada mais falso. Hoje estamos a pagar a nossa impreparação económica e financeira da maneira mais dolorosa e, o povo assiste a tudo isto resignado, fatalista, sem tomar nenhuma acção. Estamos todos anestesiados. Qualquer dia nem com estimulantes vamos lá.
Não sei é como há pessoas que, ainda, se admiram com os valores das sondagens atribuídos ao governo e a José Sócrates, ao fim de mais de dois anos de governação. Pudera, com um povo destes no estado semi-comatoso em que se encontra, até o rato Mickey, como dizia a outra, obtinha resultados semelhantes.

Delírios soaristas


Ainda a entrevista de Mário Soares à revista Única, do jornal Expresso, do passado fim-de-semana. Diz ele a certa altura: "Neste momento há um relatório, nos Estados Unidos, onde se diz que o grande inimigo já não é o terrorismo, mas o perigo que podem representar as populações do Sul, famintas, vítimas do subdesenvolvimento e das catástrofes naturais, procurando desesperadamente entrar nos países ricos do Norte. E a única resposta possível - diz o relatório - será a sua exterminação em massa. Vejam! Trata-se de preconizar o regresso à barbárie...Depois do humanismo iluminista e, apesar de tudo, de dois séculos de progresso."
Quando li isto, pensei: bem, este relatório, de que fala Mário Soares, deve ser o segredo mais mal guardado do mundo e eu devo ser a única pessoa que não conhece o relatório. Pois se até as jornalistas que lhe estavam a fazer a entrevista comeram e calaram, é porque é coisa que todo o mundo sabe. Caso contrário, teriam perguntado que relatório era esse, onde se encontrava, como é que ele, Mário Soares, tinha tido acesso? Teria ele fontes privilegiadas? Como as doutas jornalistas, Cândida Pinto e Clara Ferreira Alves, não procederam conforme, então o problema era meu. A causa de desconhecimento desse relatório era a minha ignorância.
Com o passar da semana, o grau da minha ignorância foi tomando proporções gigantescas: ninguém em Portugal, na imprensa, na televisão, nos fóruns, em todo o espaço público, no Partido Socialista, nos partidos da oposição, nas instituições e organizações, formulou um juízo ou uma interrogação acerca do relatório que preconiza a morte em massa das populações do hemisfério Sul. Sim, agora tinha a certeza, todo o mundo, ou pelo menos Portugal, sabia da existência desse relatório e não se preocupava com as conclusões do mesmo.
Só eu, devido à minha estupidez, e por andar sempre entretido com as telenovelas, não tinha reparado que o relatório já tinha sido alvo de um grande debate na sociedade portuguesa e que Mário Soares não tinha dito nada de novo.
A minha vergonha foi tanta que, fui imediatamente fazer uma pesquisa na Internet, já que não tenho acesso a outras fontes, para ver se "apanhava" esse relatório em algum lado, pelo menos ecos. Mas para minha infelicidade, nada. Nem um leve rumor me chegou do ciberespaço. E pesquisei em várias línguas. Nenhuma me deu troco. Confesso que só utilizei o alfabeto latino, porque é aquele que unicamente sei utilizar. Agora via a falta que me fazia não saber chinês. Talvez aí residisse preciosa informação.
Como também falei com pessoas das minhas relações e elas também não sabiam nada desse relatório, nem tampouco tinham ouvido falar, claro está, excepto via Mário Soares, das duas uma: ou Mário Soares sonhou, ou estamos todos a dormir e só acordaremos quando o extermínio começar.

A matilha espreita


Segundo o Diário de Notícias, o Primeiro-Ministro inglês, Tony Blair, afirmou que os jornalistas são uma "matilha selvagem" e que "fazem pouco das pessoas e denigrem as suas reputações". Isto é verdade, também em Portugal se verifica que muito "jornalista" gosta de gozar a bom gozar. E aqueles que gozam são invariavelmente de uma pobreza de espírito e de intelecto muito mais inferior do que aqueles que eles pretendem gozar.
No jornalismo televisivo, principalmente nas reportagens, então isso é quase diário, quando escolhem e focam os pormenores menos "glamourosos" das pessoas: ou porque falam mal e pronunciam as palavras incorrectamente, ou porque vestem mal, ou porque lhes faltam dentes, além de outros pormenores físicos e tiradas mais ou menos infelizes. O pormenor, o fait-divers é que conta, o resto é supérfluo. Enfim tudo o que se afasta do "politicamente correcto" é alvo de chacota e de gozo.
Mas eles filmam e editam esses pormenores porque, para além do poviléu se rever nisso e achar muita graça, também é sobretudo uma forma de "marcar" determinada pessoa, e deixar um rasto para memória futura, que será maior ou menor consoante o atingido tem maior ou menor visibilidade pública e que poderá sempre servir como arma de arremesso. Isto aplica-se desde o cidadão mais maltrapilho até ao multimilionário, passando, claro está, pela classe mais apetecível: a política. Ninguém se julgue a salvo.

12 de junho de 2007

Viva o Monte Redondo

por pmarquesbird

Este monte é o Monte Redondo, na Ota. Se o aeroporto viesse para a Ota, este monte seria dinamitado e condenado à morte. Caso o aeroporto de Lisboa vá para Alcochete, a pena será comutada para vida perpétua.
Viva o Monte Redondo.

Dá gosto ser arguido


Há políticos, a maioria, que dariam tudo para não serem arguidos, mas há um, autarca, que deve ter um gosto pessoal em sê-lo, e no qual nós também temos prazer que o seja. Ele é Rui Rio, Presidente da Câmara Municipal do Porto.
Ele é arguido por "chamar os bois pelos nomes". Bravo. Parabéns.

Virgem ofendida


A directora regional da educação do Norte, Margarida Moreira, vem num comunicado afirmar que a Direcção Regional que dirige: "está a ser alvo de uma campanha sem precedentes que tem por objectivo denegrir o trabalho desenvolvido, em particular pela sua directora regional e condicionar acções em curso".
A senhora directora quer tomar-nos por parvos e vem agora misturar acções que lhe são imputadas, que tomou de acordo com a sua consciência e formação, ou a falta desta: censura ao prof. Fernando Charrua, por ter dito uma piada sobre o Primeiro-Ministro, ser mal educada no tratamento com o Presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho, por este ser padre, e por também ela ter "mandado" uma graçola sobre o percurso académico de José Sócrates. Perante estes episódios, excepto o do processo disciplinar a Fernando Charrua, Margarida Moreira desmente-os, vindo agora com a história que querem-se vingar da sua acção política.
Ninguém pôs em causa a capacidade de acção política da directora regional, que tem, e deve, de pôr em prática o programa do governo no que à sua área compete, concorde-se ou não. Todos clamam é contra as suas acções de ditadorazeca.

11 de junho de 2007

Adeus Ota... Olá Alcochete


Subir na vida


Mário Soares, na entrevista que deu à revista Única, do jornal Expresso, afirma que nunca foi profissional da política. Cavaco Silva já tinha dito o mesmo sobre si próprio. Ao demarcarem-se dos profissionais da política quererão dizer que para estes a política foi, e é, uma maneira de subir na vida?

Leonor vai com as outras




Vi hoje no programa Bom Dia Portugal, da RTP 1, um elemento da Polícia Judiciária a comentar a acusação do Ministério Público a vários elementos dessa polícia de investigação, por terem exercido, alegadamente, tortura sobre a cidadã Leonor Cipriano, que se encontra a cumprir pena de prisão, no seguimento do julgamento em que o tribunal provou que ela assassinou a filha, cujo corpo nunca foi encontrado até ao momento.

Vem agora a PJ dizer que vai também ela acusar o procurador do Ministério Público por ter tomado a acção que tomou, pois diz que ninguém dentro da PJ "bateu" em Leonor Cipriano.

Não sei quem está a mentir. O que sei, porque ouvi, é que este senhor da Polícia Judiciária na entrevista que deu à RTP, quando falava do procurador do Ministério Público utilizava os termos: "sr. procurador" e quando falava de Leonor Cipriano, referia-se "à Leonor". Leonor para aqui Leonor para acolá.

Somos todos iguais, não somos?



10 de junho de 2007

Esperar sentado


Cavaco Silva, no seu discurso do 10 de Junho, afirmou que não devemos esperar tudo do Estado e que, ele, não se resigna perante o nosso empobrecimento diário face ao resto da Europa. Mas a verdade que se observa é esta: Cavaco resigna-se e o povo persigna-se. Vamos longe.

(Des)informação credível: Jornal da Noite (SIC)


O Jornal da Noite, da SIC, "informou-nos" que D. Manuel Martins afrontou o governo de Cavaco Silva, aquando dos gravíssimos problemas sociais e económicos, que assolaram o distrito de Setúbal durante a primeira metade da década de oitenta do século passado. Como, hoje, já aqui afirmei, D.Manuel Martins bateu-se foi contra o governo do bloco central, e a sua inanição em resolver esses mesmos problemas, liderado por Mário Soares. Depois estes pretensos jornalistas arvoram-se em arautos da verdade. E assim, com a capa da seriedade se mente descaradamente.
Telefonei imediatamente para a SIC a protestar e a pedir que se faça a correcção. Aguardemos a demonstração da credibilidade da SIC.
Vejam a mentira aqui e as provas aqui, e aqui.

Sócrates que se cuide

Condecorações: D. Manuel Martins


Hoje, mais alguns "notáveis" portugueses vão ser condecorados, supostamente por feitos realizados para o desenvolvimento e projecção do país no mundo. No lote deste ano, para mim, só há duas pessoas dignas de condecoração, porque me sinto grato pela sua acção: Catalina Pestana e D. Manuel Martins.
Mário Soares não apareceu nas cerimónias das comemorações do 10 de Junho, ou porque não foi convidado, o que não acredito, ou simplesmente não queria dar de caras com D. Manuel Martins, a quem, quando exercia as funções de Primeiro-Ministro, na primeira metade da década de 80 do século passado, fez tudo, por tudo, para desacreditar o "grito" que o prelado lançou a todos nós, denunciando a pobreza, a miséria, o desemprego e a fome que assolava o distrito de Setúbal, o que obrigou o governo a lançar um plano de emergência de ajuda à população desse distrito.
Parabéns D. Manuel Martins. Obrigado.

9 de junho de 2007

10 de Junho: comemorar o quê?


Mas quando é que há uma nova revolução neste país? Estou farto, farto, de tanta merda. Isto fede, estamos a afogar-nos. E todos assistimos sem fazer nada. Nada.
A História acabou para Portugal? Será? Pela primeira vez na minha vida, e eu era uma criança muito pequena em 1974, tenho medo de viver em Portugal. Tudo o que está à nossa volta mete-me medo e enoja-me. O medo de antes de 1974 era muito concreto, hoje é imensamente maior. O medo, hoje, em Portugal não é físico: é de alma, de ser. Não está delimitado. Move-se e espalha-se como o cancro. Assustador.
As revoluções servem para regenerar os países e os povos. Sem revoluções os povos apodrecem e morrem: sem orgulho, sem alma.

8 de junho de 2007

A maldade patrocinada pelo Estado


"A bondade pode ser animal, mas a maldade, ah, essa é humana. Muito humana." por Arisu O.


Ou quando a maldade de um inquilino, apoiado por leis criminosas atentatórias de toda a dignidade humana, consegue dar cabo de um senhorio.

7 de junho de 2007

E tudo a blogosfera LEV(ant)OU

Cimeira G8: Bush/Putine

RASPUTIN - BONEY M
There lived a certain man in Russia long ago
He was big and strong, in his eyes a flaming glow
Most people looked at him with terror and with fear
But to Moscow chicks he was such a lovely dear
He could preach the bible like a preacher
Full of ecstacy and fire
But he also was the kind of teacher
Women would desire

Ra Ra Rasputin
Lover of the Russian queen
There was a cat that really was gone
Ra Ra Rasputin
Russia's greatest love machine
It was a shame how he carried on

He ruled the Russian land and never mind the Czar
But the kasachok he danced really wunderbar
In all affairs of state he was the man to please
But he was real great when he had a girl to squeeze
For the queen he was no wheeler dealer
Though she'd heard the things he'd done
She believed he was a holy healer
Who would heal her son

Ra Ra Rasputin
Lover of the Russian queen
There was a cat that really was gone
Ra Ra Rasputin
Russia's greatest love machine
It was a shame how he carried on

But when his drinking and lusting and his hunger
For power became known to more and more people
The demands to do something about this outrageous
Man became louder and louder

"This man's just got to go!" declared his enemies
But the ladies begged "Don't you try to do it, please"
No doubt this Rasputin had lots of hidden charms
Though he was a brute
they just fell into his arms
Then one night some men of higher standing
Set a trap, they're not to blame
"Come to visit us" they kept demanding
And he really came

Ra Ra Rasputin
Lover of the Russian queen
They put some poison into his wine
Ra Ra Rasputin
Russia's greatest love machine
He drank it all and he said "I feel fine"

Ra Ra Rasputin
Lover of the Russian queen
They didn't quit, they wanted his head
Ra Ra Rasputin
Russia's greatest love machine
And so they shot him till he was dead

Oh, those Russians...

Resistirá Alenquer ao aeroporto na Ota?

por EstranhO


por Alentjana


por pmarquesbird


por Luís & Mila



Ou a recordação de uma nova Amadora

Querem que faça um desenho?


"Três portugueses morreram ontem num acidente de viação em Espanha, num acidente de estrada." Carlos Daniel, Jornal da Tarde, RTP 1 (7/6/2007)

À rua


De todos os países que aceitaram entrar na zona Euro, Portugal é o único que empobrece a olhos vistos, com o beneplácito dos governos e pior ainda: com a nossa resignação. Nada nos move a sair de casa e a tomar conta da rua. Por mais que protestemos, as coisas só se resolvem na rua. Os políticos só mudam alguma coisa quando se assustam com a rua. Por mais que a comunicação social e a blogosfera "protestem", não chega para os demover.
O povo à rua é a única forma eficaz das coisas mudarem. O Banco Central Europeu está a arruinar o povo, sobretudo a classe média, que é quem sustenta os ricos e os pobres. O nosso governo nada faz e nós estamos anestesiados. Assistimos impávidos à nossa morte lenta. Às vezes esta pasmaceira revolta-me tanto que acho que não somos dignos de existir como povo. Assistimos a actos heróicos isolados, mas não chegam para mudar nada. O homem que entrou numa agência bancária e lá se barricou, porque o banco, com a protecção do governo, preparava-se para lhe roubar a casa, recusando-se a aceitar outras formas de renegociar a dívida, é um caso que nos devia envergonhar a todos. Porque o acto dele, pelo menos, para lá dos problemas judiciais que "arranjou", permitiu-lhe ficar com a casa, por agora. Mas quantos milhares e milhares de famílias ficaram sem a sua casa porque não tiveram a "coragem" e a força de cometer loucuras?
Somos mesmo uns bananas. Cada povo tem aquilo que merece. E nós pela nossa demissão colectiva para alterarmos as coisas, possivelmente, até temos demais.

6 de junho de 2007

Umbigos


Mário Soares sempre tão lesto a vir a terreiro denunciar perseguições, cabalas, perigo de ressurgimento da ideologia fascista e do seu "branqueamento", ainda não disse, que eu tivesse conhecimento, uma palavra pública acerca do caso da senhora directora da DREN, Margarida Moreira, que levantou um processo disciplinar a um professor por este ter, alegadamente, dito uma piada que visaria o Primeiro-Ministro. O governo já premiou a senhora pelos altos serviços prestados: reconduziu-a no cargo. A continuar assim a dita personagem ainda será condecorada no 10 de Junho.
Manuel Alegre demarcou-se, Soares não. A fibra dos homens mede-se, também, nos chamados pequenos casos. A agilidade de Mário Soares é notável: ainda consegue olhar para o seu umbigo.

A importância de se chamar António

António de Oliveira Salazar



António Costa


Por vezes as terras pequenas saltam para a ribalta comunicacional em menos de nada. Assistimos diariamente a isso, veja-se a localidade da Praia da Luz, em Lagos, com o caso do desaparecimento da menina inglesa. Mas com o passar do tempo, a poeira assenta e essas localidades voltam ao seu remanso mediático. Mais raro é quando uma pequena localidade passa a figurar na história do país, ou porque aí nasceu uma figura incontornável da história política de Portugal, ou porque foi palco de acontecimentos que marcaram a vida em sociedade, por exemplo.
Santa Comba Dão, na Beira Interior, é exemplo disso. Foi berço do ditador António de Oliveira Salazar e, foi palco recentemente do primeiro caso de assassínio em série deste século em Portugal, alegadamente realizado por um seu habitante, António Costa, que por estes dias está a ser julgado no Tribunal da Figueira da Foz, sobre três jovens raparigas também de Santa Comba Dão.
Alguns vislumbraram analogias macabras, dizendo que se um tinha alegadamente assassinado só!? três pessoas, muitas mais tinha "assassinado" o ditador, ainda que por interpostas mãos. Santa Comba Dão que logo após o 25 de Abril era nome que se evitava pronunciar, foi com o dealbar do tempo erguendo a cabeça, chegando à actualidade com o firme empenho de musealizar o percurso do seu filho mais controverso: António de Oliveira Salazar.
Eu, apesar de tudo, se fosse santacombadense e se tivesse que optar, também teria mais "orgulho" que a minha terra fosse lembrada através do António, estadista, do que do António, ex-cabo da G.N.R.


5 de junho de 2007

Notícias virtuais


Já não bastava as "não-notícias" do mundo real, agora passamos a ter "notícias" e "não-notícias" do mundo virtual. Na edição do Expresso em linha, somos confrontados com "isto".
Que este mundo onde vivemos é povoado por acontecimentos do "outro mundo" já todos sabíamos, agora passamos a ter acontecimentos "reais" do outro mundo neste mundo. Confuso? Talvez não. Vivemos um tempo de virtualidades.

Aeroporto: descalçar a bOTA


Assistimos ontem a uma emissão longuíssima do programa Prós e Contras, dedicado ao futuro aeroporto de Lisboa na sua vertente económica, de ordenamento do território e da sua articulação com as demais acessibilidades. Foram dirimidos argumentos pró-Ota e pró-margem Sul, em que os factores ambientais, ainda que nenhuma organização ambientalista estivesse presente, e aspectos técnicos de navegação aérea também foram aflorados.
Viu-se que existem alguns sectores que nutrem uma oposição visceral em relação à opção Ota, nem sempre pelos melhores motivos. Os defensores da Ota agarram-se a elementos de geografia humana e económica para justificar essa localização, o que, também só por si, é pouco.
Uma coisa ficou clara: que é imperioso a construção de um novo aeroporto para Lisboa. A sua localização não deve atender a aspectos exclusivamente financeiros. "O barato sai caro" foi dito por alguns dos intervenientes. E que independentemente da localização se deve olhar para lá da mesma, tendo em consideração o país e a península Ibérica no seu todo.
Eu quero que a localização do novo aeroporto, a Norte ou a Sul do Tejo, seja a melhor das melhores, sabendo que há nas duas localizações aspectos positivos e negativos em jogo. Agora, não se deveria escolher a localização pelo número absoluto de prós e contras de cada uma das opções. É que: imaginemos que se escolhia uma das opções porque apresentava menos aspectos negativos em termos quantitativos, mas poderia acontecer que bastasse um só desses aspectos para inviabilizar o "sucesso" de tal empreitada. A construção do aeroporto vai muito para além do limite físico do mesmo.
Uma surpresa do debate de ontem foi a completa ausência de representantes políticos e económicos do concelho de Alenquer, onde a Ota se situa. A defesa da opção Ota ficou por conta dos concelhos vizinhos que mais benefícios irão obter com essa localização, já que não "levam" com a construção in situ.

4 de junho de 2007

Sócrates na Áustria

Sócrates mostra-se cada vez mais inseguro, parece perdido, não sabe o que dizer, como agir. O que diz é vago, vazio, oco. O discurso é repleto de lugares comuns. Este comportamento tem-se vindo a agravar com o tempo, e ontem na visita que está a efecutar à Áustria, em que foi convidado de honra do «Europa Fórum», conferência que se dedica a debater questões europeias, foi por demais evidente. A televisão é implacável. Quase que estive tentado a "saltar" para dentro do televisor para lhe dar uma "ajudinha", tal foi o nervosisismo que se apoderou de mim ao ver o seu desnorte. Pode ser impressão minha, mas este comportamento de José Sócrates tornou-se mais evidente a partir da polémica da sua licenciatura.

Quero acreditar que a sua timidez é a causa directa de "tão pouco à vontade", mas que raio, será que ninguém, de entre o seu gabinete, ajuda o homem? Dá ideia que o Primeiro-Ministro não faz o trabalho de casa. Estas "cenas" não premunem nada de bom, para a presidência portuguesa da União Europeia, a iniciar dia 1 de Julho próximo.

3 de junho de 2007

As novas ditaduras: Venezuela


É espantoso como em Portugal a esquerda, com o seu silêncio, tem apoiado a consolidação da ditadura na Venezuela. Essa esquerda dirá que Hugo Chávez foi eleito democraticamente, mas Adolf Hitler também foi, digo eu, e deu no que deu. Mas esta "nossa" esquerda, podre e desprezível, tem para si que uma coisa é ser eleito, democraticamente, um homem de esquerda e outra, bem diferente, é a eleição de um homem de direita. Veja-se o que se disse sobre a eleição de Nicolas Sarcozy, em França, e como se procurou, e procura, denegrir a sua eleição, como um acto anti-democrático.
Desprezo todo o tipo de ditaduras, e não comungo de muitos dos ideiais da direita. No entanto, abomino quando a esquerda desculpabiliza as ditaduras vindas do seu campo. A esquerda, ou alguma esquerda, ainda não percebeu o que se passou com o colapso da União Soviética.
E depois temos a "nossa" esquerda caviar e o nosso governo PS a cantar loas a Hugo Chávez, na voz do nosso "bichoso" Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António Braga. Um vómito.
A esquerda, só porque Hugo Chávez bate o pé a George Bush, acha-o "o máximo", e aprova tudo o que ele faz, porque na sua visão míope, quem "enfrenta" o Presidente dos Estados Unidos da América, através da televisão, só pode "caminhar rumo à vitória" e ao bem-estar da Humanidade.
Deus, para quem é crente, ou os homens de boa vontade, para os agnósticos, nos salvem, já não de ditadores, mas sobretudo de quem os apoia e lhes releva os seus actos.

Liberdade: que liberdade? (V)

Homenagem ao blogger egípcio Abdel-Karim Nabil Suleiman, de 22 anos de idade, que está a cumprir uma pena de 4 anos de prisão, por, segundo os tribunais do Egipto, ter ofendido o Islão e o Presidente egípcio Hosni Mubarak.

Este jovem, estudante de Direito, foi preso por lutar pelos Direitos Humanos no seu país e no mundo árabe.

O seu último post data de 28 de Outubro de 2006. Mas o seu blogue continua a ter cada vez mais visitas. Visitem-no (http://karam903.blogspot.com) e deixem-lhe uma mensagem de esperança.

Foi feito um apelo junto das autoridades egípcias para libertar este nosso colega, o que até hoje ainda não aconteceu.

Nós, aqui, em Portugal queixamo-nos, e com razão, que por estes dias a liberdade de expressão tem sido posta em causa, ainda que por “portas e travessas”, mas quando essa mesma liberdade de expressão, em pleno século XXI, conduz à prisão, seja em que parte do mundo for, há que gritar.

Esta canção está num dos últimos posts que Abdel-Karim colocou no seu blogue. Ele apelidou-a de “bela”. É a minha homenagem a ele e à liberdade de expressão no mundo inteiro.

1 de junho de 2007

Dia Mundial da Criança


Hoje é Dia Mundial da Criança. O dia existe para lembrar aos adultos que cabe a eles defenderem as crianças de todos os "males do mundo", que são muitos, e apontar-lhes um mundo novo, mas também é um dia em que rememoramos a nossa infância e meninice.
É um dia de interrogação do que temos feito, ou não, pela defesa na nossas crianças. Um dia contarei, aqui, um caso de como em Portugal se protege as crianças vítimas de maus tratos, colocando em perigo os denunciantes. Não conto agora porque estou à espera, se calhar em vão, dos possíveis desenvolvimentos do caso. Mas voltarei ao assunto. Prometo


Consciência "limpa"


Ontem, uma mulher de 63 anos, Maria Clementina Pires, foi absolvida, pelo tribunal de S. João Novo, Porto, por ter assassinado o seu marido em Setembro de 2004, após sofrer 40 anos de maus tratos, infligidos a ela e às filhas.
Houve palmas e a decisão dos juízes, desta vez, foi louvada unanimemente. Mas se a mulher foi absolvida, e bem, já o Estado, ou seja nós, deveria ser condenado à pena máxima.